Festival Baixo Centro

as ruas são para dançar

O BaixoCentro (http://baixocentro.org) começou como uma ideia na Casa da Cultura Digital no meio de 2011: fazer um festival de rua a partir da articulação entre núcleos culturais de bairros em torno do Minhocão (Santa Cecília, Campos Elísios, Barra Funda e Vila Buarque), em São Paulo.

Agora, no começo de 2012, o BaixoCentro se tornou uma rede crescente de mais de 500 pessoas no grupo do Facebook e 136 produtores no grupo de e-mails baixocentro@googlegroups.com. Em dois meses de campanha de arrecadação no Catarse, 386 pessoas investiram R$ 23.060 – valor mais alto que o captado pela maioria dos projetos (mas insuficiente para o nosso primeiro projeto). Tudo consequência direta de estarmos fazendo algo extremamente necessário da forma em que acreditamos: colaboração horizontal, aberta, autogestionada e independente.

A partir dessa primeira experiência, reformatamos nossas ideias. Diminuímos a duração deste primeiro Festival BaixoCentro para 10 dias de duração: de 23 de março a 1 de abril de 2012 (anote na agenda!). Em todas as conversas e articulações que ocorreram na primeira fase do projeto, apareceram muitos apoios não financeiros, trocas de serviços e produtos, e decidimos investir ainda mais na diversidade de fontes de financiamento. Vamos realizar um leilão de obras de arte. Vamos abrir um canal de doações. Agora, no Catarse, queremos levantar levantamos R$ 13.440 para produzir o primeiro fim de semana do Festival.

Este é o nosso orçamento: http://goo.gl/t9KTF

A programação será feita de forma colaborativa durante o mês de fevereiro. Haverá shows de música, apresentações de teatro, exposições de artes visuais, festas, oficinas, intervenções e performances de rua. Tudo de graça e aberto para quem quiser chegar para participar como público ou para propor novas atividades. No Catarse, mantivemos as mesmas recompensas, para facilitar para quem já financiou da primeira vez.

Importante dizer que também é nossa meta ultrapassar este valor de arrecadação – por isso, não deixe de contribuir caso a meta já tenha sido atingida. Este dinheiro a mais será utilizado para remunerar com justiça s artistas, técnics e produtor@s envolvid@s na rede BaixoCentro (hoje, estão tod@s trabalhando sem dinheiro envolvido) e para ampliar as possibilidades da programação – ter mais atividades na grade, produções mais caras (como a montagem de um palco) ou ter outras novas ideias, como acontece todos os dias ;) .

Tornou-se ainda mais urgente pensar em soluções e propostas para ressignificar a cidade depois dos acontecimentos do começo do ano em SP – incêndio da Favela do Moinho, ação policial na Cracolândia, reintegração de posse de diversas ocupações de sem-teto no Centro. É concreta a necessidade de criar parâmetros possíveis de relações entre as pessoas numa metrópole como esta em que vivemos.

Para comprovar que a demanda por uma nova cidade existe, já colocamos o bloco (e o protótipo do carrinho multimídia) na rua. Durante três dias de janeiro, o pré-BaixoCentro ocupou as ruas de Santa Cecília, Luz, Campos Elísios e Barra Funda. Fizemos cortejo de samba e bicicletas pelo Minhocão. Projetamos filmes no Largo Santa Cecília e na praça da República. Fizemos uma festa lotada, o Samba na Casa do Gato. Ocupamos a Cracolândia num protesto pacífico. Ocupamos murais, tuítes, listas e, até mesmo, o céu de São Paulo.

Hoje é possível dizer que somos uma rede, um movimento, uma rede em movimento, com objetivos claros: tomar a rua e resgatá-la como espaço comum, de encontro, de interação, local público de arte e manifestações das mais diversas.

Junte-se você também. Responsabilize-se pela cidade que você é.

Entre em contato: baixocentro@googlegroups.com

9 respostas para “Festival Baixo Centro”

  1. jair dniz dos santos disse:

    Este projeto esta alinhado estéticamente com a Virada Cultural criada pelo mesmo poder opressor e pulverizador cultural citado de outra maneira no texto acima? agradeço uma resposta….

  2. Lucas Pretti disse:

    Oi, jair.

    Eu parto de um pressuposto bem valioso, que é “ética é estética”. O jeito que você faz é o jeito que você vê. Não adianta discursar lindamente sobre independência se vc tem mil amarrações e rabos presos por trás.

    Por isso, de primeira, dá pra dizer que não, o BaixoCentro não se alinha esteticamente com a Virada Cultural. Nas reuniões chegamos até a falar que somos uma espécie de anti-Virada em construção. É um movimento, que começa com um festival concentrado (em 10 dias, diga-se), mas que pretende ocupar e ressignificar permanentemente esta região – e todas as outras ruas do brasil e do mundo (exagerando, claro, mas não exagerando também).

    E o movimento é aberto. Por isso falei em primeira pessoa aqui. Pode ter gente que discorde ou que veja com nuances diferentes.

    Conheça mais: baixocentro.org

    Abraço

  3. jair dniz dos santos disse:

    Ola Pretti, obrigado pela resposta. Realmente a questão da Ética e Estética é um pivô essencial e pelo escrito no texto acima de apresentação deste projeto onde vejo citado as ações violentas do poder público sobre nós nos espaços citados: Moinho, Cracolândia, Pinheirinho – este projeto abraça uma responsabilidade enorme. Espero que este projeto consiga em pratica seguir um caminho oposto ao que tem acontecido na cidade de São Paulo. Um caminho da “não-violência cultural” em todos sentidos e em outros também. Abraço e bom trabalho.

  4. Lucas Pretti disse:

    Brigado, Jair. É isso aí. Vamo que vamo!
    Abraço!

  5. boa inisiativa, voçes poderia me dizer o indereço da evilin gomes, seu imail, ou mesmo do fasse, muito obrigado de conseguirem, grato, bom dia.

  6. Roberta disse:

    Lucas, poderia me explicar como ficarão os moradores do bairro, principalmente da rua vitorino carmilo, que após trabalharem a semana inteira, pretendem descansar no final de semana e não conseguem por causa das festas e eventos com musica alta que vs promovem?
    Agora são 23 horas e há diversas pessoas batucando e cantando alto dentro do parque savoia.
    Grata

  7. [...] projetos que saíram destas redes. Para citar só os mais recentes, da rede da CCD, temos o “Festival Baixo Centro” e o “Ônibus Hacker” (que invadiu o Complexo do Alemão durante a Rio+20). Tem [...]

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