A Fundação Nacional de Artes (Funarte), em 2009, abriu um edital para selecionar pesquisadores sobre mídia digital e internet. O objetivo da seleção era criar massa crítica sobre a produção contemporânea artística que envolvia as novas tecnologias. Para tanto, a fundação disponibilizaria cinco bolsas, uma para cada região do país, no valor de R$ 30 mil para que um produto de pesquisa fosse lançado após seis meses.
Os cinco primeiros bolsistas foram selecionados em agosto. Em outubro, o Ministério da Cultura aportou mais recursos para dobrar ou triplicar as ações da Funarte, aumentando o número de bolsas para este edital em três vezes. Foi neste novo aporte em que eu fui contemplado para pesquisar sobre arte e tecnologia na região Sudeste do país.
A minha pesquisa tinha como base duas teorias elaboradas por pensadoras brasileiras. A primeira pegava como ponto de partida uma afirmação defendida pela Dra. Lucia Santaella em diversas obras, mas repetida em seu livro “Culturas e artes do pós-humano” (2003):
“(…) quando surge um novo meio de produção de linguagem e de comunicação, observa-se uma interessante transição: primeiro o novo meio provoca um impacto sobre as formas e meios mais antigos. Num segundo momento, o meio e as linguagens que podem nascer dentro dele são tomados pelos artistas como objeto de experimentação. Assim aconteceu com o rádio, primeiro meio efetivamente de massa, capaz de atingir remotamente milhões de pessoas a um só tempo. Numa primeira instância, o rádio influenciou o teatro para, depois, ser explorado como fonte autonôma para a criação.” (p. 156)
Se os artistas são o mote da inovação, para se entender um meio, então, deve-se entender suas produções. Eles que testaram as novas mídias (digitais ou não) até o ponto em que isso será convertido para a sociedade como algo corriqueiro. É a partir das experimentações deles que, depois, o cidadão comum aprende a usar o rádio, a televisão e o computador como uma mídia de massa.
A segunda teoria que orientou o meu projeto foi a desenvolvida pela artista Giselle Beiguelman chamada cibridismo. Resumindo: é o fino limiar que existe entre os mundos on e offline. Com os mecanismos móveis, hoje, é muito complicado de conseguir mensurar quando estamos conectados e quando não.
As duas teorias orientaram o projeto que encaminhei para a Funarte para pesquisar a produção artística contemporânea envolvendo as novas mídias. O trabalho, então, ficou dividido em duas partes: uma teórica, em que contextualizei algumas novidades trazidas pela rede na produção artística; e outra apenas com entrevistas com artistas e pesquisadores. Entrevistei, com isso, artistas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para exemplificar o que tem sido feito nos três maiores estados brasileiros.
Ao todo, foram 11 artistas e pesquisadores que deram suas opiniões e mostraram o que tem sido feito de novo: Giselle Beiguelman, José Carlos Silvestre, Claudio Bueno, Cicero Silva, Fernando Rabelo, Pedro Veneroso, Fred Paulino, Fernando Velázquez, Mariana Manhães, Katia Maciel e Vivian Caccuri.
O material que produzi está disponível no blog A Arte do Cibridismo, onde você poderá conferir todos os vídeos e entrevistas na íntegra, além do documento final.
Olá,
Gostaria de ter acesso ao conteúdo teórico de "A Arte do Cibridismo". É possível?
Obrigada
Oi, Caterina!
Segue o link para você baixar o livro na íntegra (PDF), tanto com a parte teórica, quanto as entrevistas.
http://bit.ly/epyzUp
Depois, desça aqui e me diga se você curtiu!
E se você souber como resolver os problemas deste post, ia te agradadecer bastante!
Abraços,
Adorei seu livro.
Oba!
Valeu!