Encontro com Tim Webster

Tim Webster [http://timwebster.tv/] está no Brasil para mostrar sua obra Machu Pichu durante o FILE 2010 (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), que acontece no prédio da FIESP até esta sexta-feira.

Essa obra será projetada no ambiente da Casa da Cultura Digital para que o público veja com mais detalhes. O artista estará lá para conversar com os visitantes também (não é uma palestra, apenas um encontro).

A obra:
Machu Pichu é um vídeo em alta definição de 22 minutos sobre a memória coletiva da experiência e a experiência coletiva da memória. Mostra uma visão fragmentada da icônica cidade Inca e faz parte de uma série de obras quese referem às Maravilhas do Mundo como tema.

O vídeo foi filmado no mesmo local onde milhões de turistas sobem para tirar fotografias, como forma de documentar pequenas mudanças ambientais na paisagem através de uma coleção de várias vinhetas estruturadas como cartões postais. Cada vinheta é de um minuto de duração e mostra um diferente nível de detalhe se comparada à cena ao lado, sendo recompostas para formar uma imagem maior. Esta visão de Machu Pichu altamente fragmentada, em “folded time”, nega a possibilidade de uma única imagem “fiel”, pois a composição é feita de várias horas e vários enfoques, sem um particular momento fotográfico no tempo.

As várias imagens se aproximam à fisiologia da visão humana, pois não vemos o mundo como um único panorama sem rupturas, ao contrário, constantemente recebemos de assalto furiosos estímulos que competem pela nossa atenção. Machu Pichu, portanto, é uma interrupção temporal e espacial entre cada ponto de enfoque que não deixa os nossos sentidos descansarem. E é esta ruptura que convida a resposta subjetiva do observador/espectador – eles não estão simplesmente consumindo uma outra representação de um maior ponto turístico, mas estão criando a sua própria experiência da obra.

Para muitos viajantes, o objetivo de fotografar Machu Pichu está no desejo de provar que se esteve lá. Enquanto este trabalho é, em muitas instâncias, um reação contra este tipo de mediação coletiva desse tipo de representação, também revela Machu Pichu como um ponto turístico de notoriedade global. Mas ao contrário de imagens em panfletos de propaganda sobre turismo, que apresentam um destino como ponto final, a estruturação do trabalho cria algo que não estável. Nos faz lembrar da impermanência, que tudo está num estado de fluxo, mesmo até em momentos aparentemente estáticos.

O artista:
As obras de vídeo e instalação de Tim Webster já foram apresentadas em exibições solo e de grupo em festivais e galerias de Melbourne, como o Blindside Gallery, Bus Projects, Kings Gallery e Seventh Gallery.

Tim Webster já ganhou vários editais e comissões tanto de órgãos públicos quanto de organizações privadas, e recebeu apoio de entidades como Federation Square, Footscray Community Arts, a Cidade de Melbourne, e Arts Victoria.

Tim nasceu em Townsville, Austrália em 1978. Completou um Bachelor of Media Arts (Honours) na Deakin University em Melbourne. Atualmente é também o presidente do comitê da galeria Bus Projects.

Serviço:
Encontro com Tim Webster
Data: 3o de julho (sexta-feira), às 21h
Local: Casa da Cultura Digital – Rua Vitorino Carmilo, 459 / Barra Funda / São Paulo

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